
Por Redação Diário Espírita | Atualizado em 15/01/2026
Doação: Investimento ou Caridade? Uma Análise Espírita
A diretora do Movimento Bem Maior, Carola Matarazzo, afirma que “doar não é caridade, é investimento”. Essa perspectiva, cada vez mais presente no debate sobre filantropia, levanta questões importantes sobre a motivação por trás das ações de auxílio ao próximo e como elas se alinham com os princípios da Doutrina Espírita. Em um Brasil marcado por contrastes sociais gritantes, como podemos conciliar a visão pragmática do investimento com a essência da caridade, tal como ensinada por Jesus?
A Perspectiva Espírita sobre a Riqueza e a Desigualdade
A Doutrina Espírita oferece uma visão singular sobre a distribuição de riquezas e a desigualdade social. Longe de uma idealização de igualdade material, o Espiritismo nos lembra da pluralidade de existências e da lei de causa e efeito. A riqueza, ou a falta dela, são consequências de ações passadas, que se manifestam em diferentes encarnações.
A Matemática da Justiça Divina
Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, explica que “está matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente e o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões”. A distribuição igualitária, portanto, não seria um caminho para a justiça, mas sim para o desequilíbrio e o estagnação.
O Progresso e o Bem-Estar da Humanidade
Além disso, Kardec ressalta que “se cada um tivesse somente com que viver, ‘o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade’”. A busca por aprimoramento e a dedicação ao trabalho são motores do progresso, e a carência material pode limitar o desenvolvimento individual e coletivo.
Filantropia Estratégica e a Necessidade de Apoio
Diante desse cenário, a filantropia se apresenta como um instrumento fundamental para atenuar as desigualdades sociais, especialmente em países como o Brasil. A filantropia, segundo os dicionários, é “amor à humanidade, empreendimento do esforço na promoção do bem-estar dos semelhantes”. O Movimento Bem Maior, liderado por Carola Matarazzo, busca promover uma “filantropia estratégica”, que se diferencia da caridade tradicional por utilizar “metodologias e mudanças sistêmicas, que são interdependentes”.
Caridade, Benevolência e a Visão de Jesus
Embora a visão corporativa possa reduzir a doação a um mero investimento, do ponto de vista espírita, essas ações se inserem em um contexto mais amplo de benevolência. A verdadeira caridade, como ensinada por Jesus, vai além da esmola e se manifesta na “benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas” (“O Livro dos Espíritos”).
A Importância da Indulgência
A caridade espírita nos convida a olhar com compaixão para o próximo, sem julgamentos ou preconceitos. A rainha de França, em seu relato transcrito em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lamentou ter desprezado pessoas que considerava insignificantes em vida, apenas para descobrir que elas ocupavam posições superiores no plano espiritual. A humildade e a abnegação são, portanto, virtudes essenciais para o progresso espiritual.
Doação: Um Ato de Amor Fraterno
A doação, seja vista como investimento ou caridade, deve ser motivada pelo amor ao próximo e pelo desejo de contribuir para um mundo mais justo e fraterno. Como afirmado em “O Livro dos Espíritos”, “o amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que lhe seja possível e que desejáramos nos fosse feito”.
- Lei de Justiça: Cada um colherá o que plantar.
- Lei do Amor ao Próximo: Amar e praticar o bem com todos.
- Lei da Caridade: Auxiliar o próximo em suas necessidades.
Conclusão: Um Olhar Fraterno para o Próximo
A questão central não é se a doação é investimento ou caridade, mas sim se ela é motivada por um desejo genuíno de ajudar o próximo. Que possamos ampliar nossas consciências, reconhecendo as desigualdades sociais e estendendo a mão a quem precisa. Afinal, como Jesus nos ensinou, “se não está bom para todos, não pode estar bom para mim”. Que nossos corações se sensibilizem cada vez mais em relação aos desfavorecidos e possamos incluí-los na grande família universal.
“O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que lhe seja possível e que desejáramos nos fosse feito.” – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.
Diante desse cenário, qual o seu entendimento sobre a relação entre investimento e caridade? Como podemos, em nossa vida diária, praticar a verdadeira caridade, inspirados nos ensinamentos de Jesus e na Doutrina Espírita?