Anjo da guarda existe? Para o Espiritismo, sim: é o Espírito protetor que nos acompanha do nascimento até a morte. Neste vídeo, comparamos sete ideias populares sobre o anjo da guarda com o que ensina O Livro dos Espíritos, questões 489 a 506.
Prefere ler? O estudo completo está aqui embaixo, com as questões de O Livro dos Espíritos para você conferir na obra.
Muita gente aprendeu ainda criança uma oração para o anjo da guarda. Depois cresceu e ficou a dúvida. Será que ele existe mesmo? Ou é só uma história bonita para criança dormir tranquila?
O Espiritismo responde que ele existe, sim. Mas muita coisa que se diz por aí não bate com o que Kardec recebeu dos Espíritos. Hoje vamos comparar sete ideias populares sobre o anjo da guarda com as respostas de O Livro dos Espíritos. Por exemplo: ele me abandona quando eu erro? Ele deveria evitar todos os meus problemas? Eu preciso saber o nome dele?
Ideia 1: um ser diferente de nós
Primeira ideia: o anjo da guarda seria um ser especial, criado já como anjo, de uma natureza diferente da nossa. Na questão 490, Kardec pergunta o que se deve entender por anjo guardião. E a resposta é simples: o Espírito protetor, pertencente a uma ordem elevada. Na questão anterior, ele é chamado de irmão espiritual. Ou seja, é um Espírito, como nós, só que mais adiantado.
E qual é a missão dele? A questão 491 responde com uma imagem familiar: a de um pai com relação aos filhos. Guiar pelo caminho do bem, ajudar com conselhos, consolar nas aflições e levantar o ânimo nas provas da vida. Repare: não é um segurança. É um educador amoroso.
Ideia 2: só na infância
Segunda ideia: o anjo da guarda cuidaria da gente só quando somos pequenos. A questão 492 diz outra coisa. Ele nos acompanha desde o nascimento até a morte. E muitas vezes continua conosco na vida espiritual, depois da morte, e até através de muitas existências corpóreas, que, dizem os Espíritos, são só fases curtíssimas da vida do Espírito.
E é obrigação ou escolha? Os dois, explica a questão 493. Uma vez que aceitou o encargo, ele fica obrigado a nos assistir. Mas tem o direito de escolher protegidos que lhe sejam simpáticos. Para alguns, é um prazer. Para outros, é missão ou dever. E isso não o impede de ajudar outras pessoas, só de forma menos exclusiva.
E se ele precisar sair para outra tarefa? A questão 494 responde que isso acontece com frequência. Alguns Espíritos deixam a posição de protetor para cumprir outras missões. Mas, nesse caso, outros os substituem. Em nenhum momento a gente fica sem amparo. A proteção é um compromisso que não tem intervalo.
“[…] onde quer que estejais, ele estará convosco: os cárceres, os hospitais, os lugares de devassidão, a solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver […].”
São Luís e Santo Agostinho, em O Livro dos Espíritos, questão 495
Na mensagem assinada por São Luís e Santo Agostinho, registrada junto à questão 495, há um trecho que vale ouvir devagar. Onde quer que estejais, eles estarão convosco. Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem na solidão, estais separados desses amigos, que não podeis ver, mas cujo brando influxo a vossa alma sente.
Alguém pode perguntar: como um Espírito elevado, que vive em outro mundo, consegue cuidar de alguém aqui? Kardec comenta isso com uma comparação. Na Terra, um pai vela pelo filho mesmo de muito longe, com conselhos e cartas. Para os Espíritos, a distância entre os mundos é menor do que a que separa os continentes. E eles dispõem do fluido universal, que transmite o pensamento como o ar transmite o som.
Ideia 3: se eu errar, ele me abandona
Terceira ideia, e talvez a que mais pesa no coração. Se eu errar muito, se eu insistir no caminho errado, o meu anjo da guarda desiste de mim?
“[…] não o abandona completamente e sempre se faz ouvir; é então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta assim que é chamado.”
O Livro dos Espíritos, questão 495
A questão 495 responde com delicadeza. Quando vê que os conselhos são inúteis, ele se afasta. Mas não abandona completamente, e sempre se faz ouvir. É o homem, dizem os Espíritos, quem tapa os ouvidos. E o protetor volta desde que seja chamado. Basta um pensamento sincero.
E quando ele se afasta, pode nos fazer mal? Nunca. A questão 496 é direta: os bons Espíritos nunca fazem mal. E a quatrocentos e noventa e sete traz uma frase que dá esperança. Se o protegido quiser, dará toda a força ao seu protetor. A proteção não depende só dele. Depende também da nossa vontade de ouvir.
Ideia 4: ele deveria evitar meus problemas
Quarta ideia. Se o anjo da guarda existe, por que ele não evita os meus problemas? A questão 498 responde com franqueza. Não é porque não possa, mas porque não quer. E não quer porque das provas o protegido sai mais instruído e mais perfeito. Ele continua aconselhando, por meio dos bons pensamentos que inspira.
E por que a ajuda é tão discreta? A questão 501 explica. Se pudéssemos contar sempre com a ação deles, não agiríamos por nós mesmos e o nosso Espírito não progrediria. Seríamos como a criança que nunca é deixada andar sozinha. A ajuda respeita o nosso livre-arbítrio. Mas, de tempos em tempos, o guia nos alerta do perigo.
E um dia a gente deixa de precisar dele? A questão 500 responde que sim, quando o Espírito consegue guiar a si mesmo, como o estudante que um dia não precisa mais de professor. Mas acrescenta: isso não se dá na Terra. Enquanto estivermos aqui, teremos um guia ao lado.
Ideia 5: preciso saber o nome dele
Quinta ideia. Muita gente quer descobrir o nome do seu anjo da guarda, como se isso fosse uma chave secreta. Kardec perguntou isso na questão 504.
“O vosso protetor acudirá ao apelo que com esse nome lhe dirigirdes, visto que todos os Espíritos bons são irmãos e se assistem mutuamente.”
O Livro dos Espíritos, questão 504, item a
E a resposta é quase bem-humorada. Como quereis saber nomes que para vós não existem? E então vem a orientação prática: dai-lhe o nome que quiserdes, o de um Espírito superior que vos inspire simpatia ou veneração. O vosso protetor atenderá ao chamado, porque todos os bons Espíritos são irmãos e se ajudam uns aos outros. O nome não importa. A sinceridade, sim.
E quando alguém chama por um nome famoso, é ele mesmo quem responde? A questão 505 diz que nem sempre. Muitas vezes quem atende são Espíritos simpáticos àquele nome, enviados por ele. E Kardec traz uma comparação do dia a dia: quando você não pode cumprir uma tarefa pessoalmente, não manda outra pessoa de confiança, que age em seu nome? O que importa é que o chamado sincero sempre é atendido.
Ideia 6: ele sofre como um pai da Terra
Sexta ideia: quando a gente erra, ele sofreria como um pai angustiado aqui na Terra. A questão 503 diz que os nossos erros o entristecem, sim. Mas essa tristeza não se parece com as angústias da paternidade terrena, porque ele sabe que há remédio para o mal, e que o que não se faz hoje, amanhã se fará. Ele tem uma paciência que vem da certeza do nosso progresso.
E quando a gente acerta? A questão 502 diz que trazer o protegido ao bom caminho é um mérito para o protetor, que se sente feliz, como o professor diante do sucesso do aluno. E se não der certo, ele não é responsável, porque fez tudo o que dependia dele. A escolha final sempre foi nossa.
Ideia 7: nunca vou conhecê-lo
“Não é raro que o tenhais conhecido antes de encarnardes.”
O Livro dos Espíritos, questão 506
E a sétima ideia, a última: eu nunca vou saber quem ele é. A questão 506 responde que, na vida espiritual, nós certamente vamos reconhecê-lo. E acrescenta: não é raro que o tenhamos conhecido antes de reencarnar. Aquele que caminha ao nosso lado talvez seja um velho amigo, que aceitou cuidar de nós nesta etapa.
Como ouvir o seu anjo da guarda
Então, como ouvir o seu anjo da guarda, na prática? Prestar atenção aos bons pensamentos, porque é por eles que o protetor aconselha. Chamar por ele numa prece sincera, com o nome que o seu coração escolher. Não tapar os ouvidos da consciência. E escolher o bem, mesmo quando custa. É assim que a gente dá força ao nosso protetor.
Se hoje você se sente sozinho, guarde esta ideia. Ninguém caminha sozinho. Nem no hospital, nem na solidão, nem mesmo no erro. Existe alguém que escolheu cuidar de você, e que volta sempre que você chama.
Fontes
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Parte Segunda, cap. IX, questões 489 a 506 (tradução de Guillon Ribeiro, FEB)
- Diário Espírita, estudos da Doutrina Espírita
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