Imagem: KATRIN BOLOVTSOVA / Pexels
O peso das decisões na vida real
Quem já precisou mediar uma briga na própria família sabe o quanto é difícil ser justo. Às vezes, duas pessoas que amamos têm razões compreensíveis, mas pontos de vista que não se cruzam. Ficamos sem saber o que falar para não ferir nenhum dos lados. Essa angústia ganha proporções imensas quando olhamos para quem fez da aplicação das leis o seu trabalho diário.
Imagine, por exemplo, o dia a dia de um juiz numa vara de família do interior paulista ou de uma capital brasileira. Diante dele estão pais que não conseguem mais dialogar, disputando a guarda de um filho pequeno. De um lado há papéis, regras e prazos processuais. Do outro, o coração de uma criança e os laços afetivos de uma vida inteira.
Pense também na advogada que atende uma pessoa humilde, completamente endividada, desesperada para não perder o pouco que tem. A legislação fria cobra o cumprimento dos contratos, mas a vida real apresenta desemprego, doença e vulnerabilidade. É justamente diante desses dilemas humanos que muitos profissionais buscam respostas mais profundas para guiar sua atuação.
O encontro do Direito com a Doutrina Espírita no Rio
Com essa necessidade de olhar o ser humano por inteiro, a Associação Jurídico-Espírita do Brasil (AJE-Brasil) organiza o 5º Congresso Jurídico-Espírita Brasileiro (CONJEBRAS). A Federação Espírita Brasileira publicou em 5 de outubro de 2026 os detalhes do evento, que acontece nos dias 14 e 15 de novembro, a partir das 9h da manhã.
O congresso será realizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro, no endereço da Rua dos Inválidos, número 182. Vale notar que na própria publicação da FEB há uma pequena divergência sobre o espaço: em um momento ele é identificado como Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ) e, em outro trecho, como Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro (FERJ).
A proposta central desse encontro é estudar as questões do Direito sob o prisma da Doutrina Espírita. Entre os participantes confirmados estão Francisco Ferraz, que é conselheiro da FEB, e os magistrados Ney Wiedemann Neto e Kéops de Vasconcelos. Outros convidados também participarão das atividades, e os interessados podem fazer sua inscrição pela plataforma Even3, indicada pela FEB.
O que os Espíritos nos dizem sobre o senso de justiça
Quando a gente abre O Livro dos Espíritos, na terceira parte, encontramos o capítulo XI, dedicado à lei de justiça, de amor e de caridade. Kardec fez perguntas diretas que tocam exatamente na essência do trabalho jurídico e das nossas relações sociais. Na questão 873, ele pergunta se o sentimento da justiça está na natureza humana ou se resulta apenas de regras criadas pela sociedade. Os benfeitores espirituais responderam que esse sentimento é natural, tão próprio do ser que nos revoltamos quando vemos uma injustiça.
Mais adiante, na questão 875, Kardec pergunta o que se deve entender por justiça. A resposta dos Espíritos é clara e profunda: a justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais. Eles explicam que esses direitos são determinados por duas naturezas de leis: as leis humanas e a lei natural. Como as leis feitas pelos homens variam de acordo com os costumes e com a evolução de cada época, nem sempre elas expressam a verdadeira justiça divina.
Por isso, na questão 876, encontramos o critério fundamental para equilibrar essa balança. O verdadeiro direito natural nos pede para querer para os outros o que desejaríamos para nós mesmos. Não basta aplicar a letra fria de um parágrafo. É preciso entender a dor de quem está do outro lado do balcão ou da mesa.
Como colocar a verdadeira justiça em prática hoje
A gente não precisa vestir uma toga ou ter uma carteira da OAB para viver a lei de justiça e de caridade. Todos os dias, no trabalho ou em casa, tomamos pequenas decisões que afetam a rotina e o bem-estar de alguém. Pode ser ao dividir as tarefas domésticas, ao lidar com um prestador de serviço ou ao acertar contas com um vizinho.
Podemos transformar essa reflexão em atitudes muito simples:
- Ouvir com paciência antes de apontar quem tem ou não razão em um desentendimento familiar;
- Cumprir nossos compromissos cotidianos com honestidade, sem tirar proveito do descuido de ninguém;
- Colocar a fraternidade em primeiro plano quando precisamos cobrar uma atitude de um colega de trabalho.
Se você estiver enfrentando uma decisão difícil nesta semana, experimente fazer uma pausa serena. Respire fundo, feche os olhos por um minuto e se pergunte: se eu estivesse exatamente no lugar da outra pessoa, com a história e as fragilidades dela, como eu gostaria de ser tratado? Ao responder com o coração sincero, a melhor escolha vai se tornar muito mais clara.
Fonte: Federação Espírita Brasileira
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